segunda-feira, julho 10

Estou em campanha

Senador Cristovam Buarque

Eu já estou em campanha. Nada me dá o direito de estar enojado com a política e os políticos. Ao contrário de Cazuza, meu partido não é um coração partido nem minhas ilusões estão todas perdidas. Porém muitos dos meus sonhos foram vendidos e nem tão barato como diz a música
do cantor. Se bem que eu não me imagine como aquele garoto que ia mudar e salvar o mundo, eu tenho o direito de meter minha colher nessa coalhada azeda e tentar convencer as almas desiludidas e tentar expulsar do templo os vendilhões.
Um fulano enviou, separadamente, para mim, minha mulher e uma das minhas filhas, um seu santinho descrevendo suas maravilhosas obras. Esqueceu de explicar os motivos pelos quais ele teria de ser cassado mas seus amigos o salvaram. Amigo é uma coisa complicada em determinadas situações. Como já se sabe amigo não tem defeitos, o inimigo, se não tiver, a gente inventa. É por isso que eu qualifico de totalmente inconsequente um blog até muitíssimo bem elaborado que anda por aí intitulado Amigos do... Esse do... é um indivíduo altamente contraditório. Quando o Senhor disse a Pedro:"Antes de o galo cantar, negar-Me-ás três vezes" este, vindo para fora, chorou amargamente. O nosso amigo dos blogueiros simplesmente diria a Jesus: "Não vi nada, não sei de nada".
Como eu já comecei minha campanha, tenho ouvido coisas interessantes:- "Vou votar naquela maluca!"
Outra pessoa, uma mulher, me falou:- "Vou votar na mulher, você não faz idéia do que é a cabeça de mulher"!
Eu falei: -"A cabeça de certas mulheres serve também para executar a dança do mensalão".
E de outros eu ouvi: - "Acho que vou votar naquela dona que grita pra caramba"!
O Enéia está fora da disputa eleitoral. Será que a Heloisa Helena é o Cacareco da vez? Cacareco era um rinoceronte do zoo de São Paulo, que em 1958 foi campeão absoluto de votos para a Câmara Municipal.
Meu candidato, Cristovao Buarque, tem apenas 1% de intenção de voto nestas pesquisas circunstanciais. Se a eleição fosse hoje estaria tudo sacramentado. Mas o "si" não ganha jogo. Eu os remeto portanto ao link "'Se' meu pai fosse mulher, era minha mãe".

As consequências do imponderável

Há algum tempo apareceu na televisão um comercial que dizia: "Leve vantagem você também". Era sobre um determinado cigarro e quem lia o texto era o grande jogador da Copa de 70, Gerson. Sua responsabilidade no caso era só ler o texto e passar no caixa pra receber a grana. Ele não viu mal nenhum em fazer a propaganda de um vício já que, ao que me parece, era um fumante inveterado. Só que a coisa extrapolou e ele ficou como o defensor intelectual da mania nacional de levar vantagem em tudo. Isso o incomodou, lógico, e certa vez eu o vi numa dessas mesas redondas da TV, irritado, se justificando. A Lei do Gerson não pertencia ao Gerson.

Agora aparece na imprensa uma outra imprecação contra um jogador de futebol. Nada que se tenha falado, talvez nem feito. O caso é que quando Zidane cobrou uma falta sôbre a área do Brasil disseram que Roberto Carlos estava ajeitando o meião. E houve até um antigo craque que falou que não existiu isso. Aquela agachada era apenas um código para fazer a linha do impedimento. De qualquer modo essa do meião já pegou. Já li em diversos textos que quando alguém não está fazendo a coisa correta está ajeitando o meião, ou está assistindo à distância o gol do adversário. São as consequências do imponderável.

domingo, julho 9

Não me inveje, trabalhe! (no vidro do carro do Lula)

ELIO GASPARI
No ano que vem Nosso Guia vira milionário

Por que Paulo Okamotto quitou dívida de R$ 29.436 de Lula, se ele tinha R$ 150 mil no banco, rendendo juros?

A APOTEOSE PATRIMONIAL de Lula, cujo ervanário passou de R$ 423 mil em 2002 para R$ 839 mil (um crescimento de 98%), é um monumento ao privilégio, à gulodice e à soberba. Reeleito, Lula se transformará num declarado milionário lá pelo segundo semestre do ano que vem. Nosso Guia enriqueceu em 2003, quando decidiu acumular a pensão de R$ 3.862 do Bolsa-Ditadura que recebe desde 1996, com o salário de presidente da República (R$ 6.830 líquidos).
Lula tinha 51 anos quando aliviou seu orçamento com o Bolsa-Ditadura, por conta da perda de um mandato sindical e de 51 dias de cadeia, sofridos em maio de 1980. Para colocar a ditadura no seu devido lugar, vale lembrar que nessa época o AI-5 já fora ao lixo e o presidente João Figueiredo sancionara a Lei da Anistia. Leonel Brizola e Luiz Carlos Prestes (PCB) já haviam voltado ao Brasil. Lula fundara o PT em fevereiro. Nosso Guia achou que tinha direito a um conforto e a lei lhe deu razão.
No dia 1º de janeiro de 2003 o bolsista tornou-se presidente da República, com salário, casa, comida roupa lavada, carro na porta e avião na pista. Tinha um patrimônio formado por três apartamentos, um terreno, um carro e R$ 117 mil rendendo juros. Cabia-lhe decidir se acompanhava a tradição, tomando à bolsa da Viúva tudo a que tinha direito. (Os generais acumulavam proventos resultantes de pelo menos 30 anos de serviço. Num cálculo grosseiro, recebiam cerca de R$ 20 mil mensais. FFHH, somava uma Bolsa-USP, perfazendo uns R$ 12 mil.)
Neste mês, como parte dos festejos do veto que seus ministros ameaçam impor ao acesso das empregadas domésticas ao FGTS (benefício que sempre recebeu), Nosso Guia ganhou um aumento de 5% na pensão. Sua aposentadoria especial passou para R$ 4.508 mensais. Estimando-se que a vida lhe custe apenas R$ 3.000 por mês, e que poupe R$ 8.000, Lula conseguirá seu primeiro milhão de reais no segundo semestre do ano que vem. (Essa conta inclui o dízimo petista, despesas de condomínio, limpeza, luz e telefone em São Bernardo. Fica à vontade do freguês uma estimativa com as despesas de vestuário.)
O sindicalista que até 2002 aplicou seu dinheiro em tijolos, como fazem quase todos os trabalhadores brasileiros, mudou de turma. A parte de seu patrimônio diretamente relacionada com a produção e o emprego (três apartamentos e um carro) equivalia a 62% do ervanário. Suas aplicações na taxa de juros somavam R$ 117,5 mil (28%). Passados quatro anos, inverteu sua relação com a economia nacional. Assim como os barões do café do final do século 19 e os marqueses da estagnação do 21, aninhou-se em negócios baseados nos juros da dívida pública. É lá que estão R$ 474,6 mil, 56% do patrimônio-companheiro. Com uma diferença: agora quem faz a dívida é seu governo. A cada mês ganha mais como bolsista-rentista do que como presidente. Não se diga que Lula é incapaz de investir na produção de uma empresa, pois pingou R$ 1.800 em ações da Petrobrás.A apoteose patrimonial de Lula sugere uma pergunta: Por que aceitou que Paulo Okamotto, tesoureiro de suas campanhas em 1994 e 1998, pagasse com dinheiro próprio uma dívida de R$ 29.436 cobrada pelo PT, no cumprimento da Lei Eleitoral? O doador universal não estava tão abonado assim. Dividiu a fatura em quatro prestações, entre dezembro de 2003 e março de 2004. Nessa época Lula tinha uns R$ 150 mil na banca.
Recordar é viver. Em 1960 a Força Aérea criou a patente de marechal-do-ar. O brigadeiro Eduardo Gomes, duas vezes candidato à Presidência (1945 e 1949), opunha-se à medida. Achava-a errada, e não queria deixar de ser "o brigadeiro".Suportou o marechalato sem dizer uma palavra. Em 85 anos de vida, Eduardo Gomes falou menos que Lula numa semana. Depois de sua morte, em 1981, soube-se que a cada mês, ao receber o salário de marechal, calculava quanto ganharia se continuasse a ser brigadeiro. Fazia um cheque com a diferença e remetia-o a alguma instituição religiosa. No Rio, ajudava um orfanato.

Que 16,7%, que nada!

Copiado de um texto de Sebastião Nery
Lula mandou seu porta-mentiras, o ministro Tarso Genro, dizer que vai dar apenas 5% e vetar os 16,67% aprovados pelo Congresso para os aposentados que recebem acima do salário mínimo, porque "iria gerar um rombo dramático de R$7 bilhões nas contas da Previdência".
Os números a seguir apresentados fazem parte de um estudo do economista e professor Marcio Porchmann, da Universidade de Campinas (e do PT!):
1 - Criada em 91 (governo Collor), a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, da Previdência Social), segundo a Receita Federal, arrecadou, no ano passado (2005), R$ 89,9 bilhões. E a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Liquido das empresas, também para fins sociais), arrecadou R$ 26,9 bilhões em 2005. Além de toda a contribuição normal direta dos trabalhadores, servidores e empresas para a Previdência, a Cofins e a CSLL acrescentaram mais R$ 116,8 bilhões.
2 - "Essas receitas (da Cofins e da CSLL), diz o professor Porchman, não são repassadas e não são computadas como receitas previdenciárias. Se fossem de fato destinadas aos cofres da Previdência (como dizem as leis que as criaram), teríamos não um déficit mas um superávit. Os R$ 116 bilhões, menos o déficit de R$ 38 bilhões, produzem um superávit de R$ 78,8 bilhões".
3 - Para onde vai esse dinheiro todo, que a lei criou como "receitas previdenciárias", para a Previdência Social? Vai para os banqueiros. Mas não só. Também quase todos os bilhões da receita da CPMF, criada pelo grande ministro Jatene para a Saúde, são desviados "para pagar os juros da dívida". O Brasil está pagando de juros, este ano, um mínimo de R$ 180 bilhões.

Enquanto vai vetar 16,67% para os aposentados, aprovados pelo Senado e a Câmara, "aumento" que não é aumento mas reposição de muitos anos sem aumento, desde Fernando Henrique, Lula confessa à Justiça Eleitoral que seu patrimônio declarado (declarado!) dobrou em 4 anos, de 2002 a 2006: passou de R$ 422,9 mil para R$ 839 mil, um aumento de 98,4%" (Folha). E mais. Confessou também que, desse quase R$ 1 milhão, que aumentou 100% em quatro anos, "57% estão aplicados em bancos (R$ 330 mil em fundos de investimento, R$ 86 mil em aplicação financeira no Banco do Brasil, R$ 55 mil em caderneta de poupança da Caixa Econômica" (olha o Palocci!).
É um milagroso. Um torneiro-mecânico, que passou 30 anos (de 1972 a 2002) sem trabalhar, apenas vivendo de mesadas e agrados de um "partido dos trabalhadores", e que, como dizia Brizola, "não tem indústria, nem agricultura nem comercio", virou milionário: três apartamentos, um outro em construção, um terreno, uma S10 Cabine Dupla de R$ 42 mil, meio milhão rendendo em bancos e, presidente, dobra tudo de 430 mil para 850 mil.
O "Globo", sutil e malicioso, tem uma explicação para o milagre:"Em três anos e meio na Presidência da República, o presidente Lula se revelou um aplicador no mercado financeiro, onde a remuneração é tanto maior quanto maiores forem os juros". (Juros fixados por ele, no governo dele).
Só nos falta concluir: é um indecente!

sábado, julho 8

O mundo gira e a Lusitana roda

Cristovam Buarque, candidato do PDT à Presidência da República, convidará hoje o ex-presidente Itamar Franco para se filiar ao Partido.
Itamar se desligou do PMDB já pela terceira vez na vida e espera-se, caso o convite seja aceito, que ele não tenha, em futuro próximo, uma recaída, voltando a esse polêmico Partido. A derrota de Itamar para Newton Cardoso na indicação ao Senado teve o dedo de Lula. O PT mineiro passou por cima de suas diferenças históricas com o ex-governador - a quem acusavam de corrupto - para garantir maior tempo de horário eleitoral gratuito e um palanque forte para a campanha à reeleição do presidente Lula no Estado. O próprio Lula se reunira com peemedebistas, em Belo Horizonte. Entre eles, Cardoso, que foi tratado como um novo "companheiro" pelo presidente. No seu discurso, o ex-governador fez questão de demonstrar intimidade com Lula.
Em 1993, no governo de Itamar o Congresso Nacional abriu nova CPI para investigar os chamados "anões do orçamento", que constatou a existência de deputados responsáveis pela elaboração do Orçamento da União utilizando-se de emendas para enriquecimento ilícito. No final todos escaparam fugindo pelo esgôto como ratos que eram. CPI já era sinônimo de pizza. Ainda em seu governo elaborou-se o mais bem-sucedido plano de controle inflacionário da Nova República. Nomeado ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso montou com uma equipe de economistas o Plano Real. O plano valorizou a moeda brasileira em relação ao dólar e assistimos ao aumento do poder de compra da população, principalmente de supérfluos. Com uma referência de valor, a economia também se desvencilhava do fantasma da inflação.
Com o sucesso do plano, em junho de 1994, o governo Itamar lançou o ministro Fernando Henrique Cardoso como candidato, e elegeu-o no primeiro turno, vencendo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O governo de Itamar Franco foi marcado também por dois episódios de impacto na opinião pública. O primeiro foi protagonizado pelo próprio presidente, flagrado por fotógrafos em um desfile de escola de samba no Carnaval carioca ao lado da modelo Lilian Ramos. Detalhe: Itamar estava abraçado à modelo, que estava sem calcinha.
O segundo episódio, ocorrido durante a campanha para a sucessão de Itamar, foi a gravação dos bastidores de uma entrevista do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, que não tinha conhecimento de que as imagens estavam sendo captadas via satélite. Ricupero foi flagrado dizendo ao jornalista: "O que é bom, a gente fatura. O que é ruim, esconde".
Apesar de tudo Itamar ainda possui muito prestígio em Minas e isso será bom para o PDT. Se Brizola o tivesse escolhido para seu vice na disputa com Collor teria sido eleito Presidente. Errou em concorrer junto com Fernando Lyra.
Pois é, o mundo gira e a Lusitana roda, como dizia o cartaz de uma firma na Av. Brasil no Rio. Espera-se que a cabeça do Itamar pare quieta em cima do pescoço.

Os "inimigos" mandam flores

Aparte do senador Sérgio Guerra (PSDB – PE) à fala do senador Cristovam Buarque quando este discorria sôbre a decisão do PDT de indicá-lo candidato à Presidência da República:

– Queria afirmar, como outros o fizeram hoje, os nossos melhores votos para uma boa campanha para Presidente da República. A gente, em Pernambuco, conhece o Senador Cristovam há muitos anos, o seu equilíbrio, a sua coerência, a sua capacidade de ser afirmativo sem ser agressivo. É um político dos que honram a vida pública brasileira, e entra numa luta difícil, por um Partido pelo qual tenho imensa simpatia, Partido que tem origem no trabalhismo, que foi desenvolvido por Leonel Brizola e que abriga quadros de excelente qualidade. Entre esses quadros, está o Senador Cristovam Buarque. Essa campanha é desigual, pois reeleição e PT não combinam senão no sentido do desequilíbrio, da disputa que não respeita as regras, que não presta atenção ao conteúdo do que deveria ser a democracia no Brasil. O que está acontecendo hoje é uma deslavada propaganda oficial, que ocupa quase 80% do tempo de exposição dos candidatos com a figura do Presidente da República. Os outros candidatos – Geraldo Alckmin, Cristovam Buarque e Heloísa Helena – ocuparão menos de 20% desse tempo. O Presidente, na nossa região, não faz uma semana, inaugurou, pela segunda vez, uma ferrovia que, neste instante, liga coisa nenhuma a coisa nenhuma, para a qual estão contratados perto de 30 milhões de obras, num programa de R$5 bilhões. O Presidente fez grande propaganda de que reabriu a Sudene, e não reabriu Sudene nenhuma. O Presidente está duplicando a BR–101 e, em nosso Estado, que deve ter uns duzentos quilômetros de rodovia, não há, seguramente, dez quilômetros de obra real. O Presidente já fez a transposição das águas do rio São Francisco, e não existe uma obra no vale do São Francisco em andamento. Esta é a regra: as grandes obras não são verdadeiras, e as obras que existiam estão paradas. Todavia, a força dessa propaganda, a massificação dessa propaganda e a falta total e completa de responsabilidade, no sentido democrático, é algo que surpreende o Brasil e com o qual vai se confrontar agora o candidato Cristovam Buarque. Tenho certeza de que o seu valor, a sua inteligência, a sua capacidade de argumentação e de convencimento farão desta eleição a mais democrática. A resistência a esse domínio desproporcional, desigual, e que produz uma falsa popularidade será mais forte com sua palavra, pela sua história, pelo conhecimento que tem de fatos brasileiros, inclusive recentes, pela sua postura como Senador e pelas propostas que terá como candidato à Presidência da República. Sempre desejei que se estabelecessem regras que permitissem uma composição do PSDB com o PDT, mas compreendo perfeitamente as razões do PDT para ter o seu candidato. Nossos votos são para que sua campanha seja a melhor e para que, no final, vença quem tenha mais capacidade de chegar aos brasileiros com palavra firme, com o exemplo da sua vida, sem contestações históricas como as que promove, diariamente, o Presidente Lula. Um candidato de 30 anos se transforma no Presidente diferente do candidato. Ao tomar posse, renuncia às convicções que subscreveu a vida toda. No Governo, produz a partidarização no mau sentido, com a chamada coligação da crise de instituições que nunca antes foram penetradas por interesses grupais, na formação de um Governo que, em vez de fazer a reforma política, fez o “mensalão”. E não fez reforma alguma para o País da qual se possa tomar nota: nem reforma tributária, nem reforma da Previdência, nem reforma agrária, nem reforma nenhuma. Fez a política de sempre, com vícios ainda mais amplos e com ortodoxia nunca antes conhecida, em um consenso que mais ninguém hoje defende, nem o Fundo Monetário Internacional. Tenho a convicção – que não é de hoje, mas que vem de muitos anos – de que vamos ter um grande candidato à Presidência da República.

sexta-feira, julho 7

A dialética dos iguais

O dicionário Houaiss atribui à palavra dialética 1. um sentido genérico; 2. diversos sentidos de acôrdo com a linha filosófica a que se faz referência e 3. um sentido pejorativo.
É bem provável que tenha sido um movimento expontâneo essa polaridade em que se colocaram dois candidatos à Presidência da República, essa dialética de difícil interpretação. No sentido genérico dialética seria oposição, conflito originado pela contradição entre princípios teóricos ou fenômenos empíricos. Não é nessa definição que se situam Lula e Alckmin. Não há oposição ou conflito no que eles propugnam.
Na visão aristotélica temos o raciocínio lógico que, embora coerente em seu encadeamento interno, está fundamentado em idéias apenas prováveis, e por esta razão traz sempre em seu âmago a possibilidade de sofrer uma refutação. Acho que não são pertinentes as outras linhas filosóficas - platonismo, kantismo, hegelianismo, marxismo.
Finalmente o sentido pejorativo seria a arte, o modo de discutir por meio de raciocínios especiosos e vazios. Assim, o sentido pejorativo e o aristotélico identificariam a dialética Lula-Alckmin, ou seja, quer se saber quem é o menos corrupto, quem tem mais roupa suja pra lavar e é possível que até o fim do processo eleitoral não cheguem a uma conclusão. No mais, Lula vai apresentar que propostas? As que não quis realizar em quatro anos? As que não teve competência para fazer em quatro anos? As que não lhe deixaram fazer em quatro anos? De fato quatro anos é muito pouco. Talvez Lula não tenha viajado tanto quanto gostaria...
E Alckmin, irá corrigir a rota traçada por Fernando Henrique, que nem Lula se dignou alterar, rezando na mesma cartilha? Acho difícil.

O senador e candidato à Presidência pelo PDT Cristovam Buarque (DF) é o entrevistado desse domingo, às 22h30, do programa Canal Livre, da TV Bandeirantes. Educação, Saúde, Segurança e Salário - os grandes desafios do país em debate na campanha eleitoral, será o tema da entrevista.
Cristovam Buarque é engenheiro mecânico, formado pela Universidade Federal de Pernambuco, e doutor em Economia pela Sorbonne. Trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, e é professor da Universidade de Brasília. Entre 1995 e 1998 governou o Distrito Federal e em 2002 elegeu-se senador pelo PT. Assumiu o Ministério da Educação em janeiro de 2003 e permaneceu no cargo por um ano. Cristovam Buarque publicou mais de 20 livros. Em setembro de 2005 filiou-se ao PDT.

A discussão dos favoritos na disputa eleitoral, na verdade, é quem fez menos em quatro anos ou quem fez menos em oito anos. Vamos ouvir o engenheiro Cristovam. O operário foi apenas um blefe.

quinta-feira, julho 6

A questão das cotas

Desembarque de Escravos (RJ) - Desenho de Johann Moritz Rugendas

O site da Revista Espaço Acadêmico em novembro de 2002 apresentava um texto a favor das cotas para negros com a ilustração acima, meio fora do contexto. Melhor estaria no blog Borrocando.
Depois de apresentar um quadro contendo uma correlação entre as variáveis “Educação dos pais” e “Escolaridade média dos filhos”, conclui: "Em uma escola democrática as duas variáveis – a) escolaridade dos pais e b) escolaridade dos filhos – não devem apresentar correlação, uma vez que por mais desiguais que sejam as crianças, do ponto de vista de sua origem social, cultural e econômica, a educação escolar conseguiria neutralizar as diferenças iniciais dando uma formação adequada para os educandos. As cotas para alunos negros nas universidades públicas podem compor um conjunto de medidas práticas, efetivas e imediatas que apontem para o fim das desigualdades raciais na sociedade brasileira. As políticas públicas em favor do igualitarismo social e econômico, que visam a atender a todos os excluídos de forma universalista, não podem servir mais para dissimular a irresponsabilidade em relação ao combate às formas de discriminação que não se fundam só no econômico, como é o caso da discriminação contra mulheres, homossexuais, deficientes físicos, índios e negros."

Não se trata de correlação entre a escolaridade dos pais e a dos filhos. Acho que um pai, uma mãe comendo a um real ou recebendo o bolsa-miséria, não há filho que tenha bom aproveitamento. E se não tem bom aproveitamento, vai fazer na universidade, o quê?

No blog do Reinaldo Azevedo fala-se de duas pesquisas: uma, que o Tarso Genro escamoteou em março de 2005 e outra produzida para conquistar a opinião pública."As duas pesquisas, tanto aquela combatida pelo MEC como esta agora usada pelo próprio ministério para se justificar, dão conta da grande farsa que é a imposição de cotas nas universidades brasileiras. Há um problema de mérito, de fundo, já dito tantas vezes, mas que não me furtarei a dizer outra vez: universidade é lugar de produção de conhecimento, de ciência, não de fazer justiça social, que tem de ser alcançada no ensino fundamental e médio, que está na penúria.
Mais: para impor o modelo, o MEC obriga as universidades a fraudar a Constituição, tratando desigualmente os cidadãos. Pior do que tudo isso: tenta-se impor a medida ao arrepio de qualquer número ou dado objetivo, mesmo aqueles que o governo teria para se defender."

É justamente isso que diz Cristovam Buarque. "A solução para a educação básica é muito maior do que qualquer medida, não basta a federalização. Mas ela representa, em primeiro lugar, um ato de justiça, porque federalizamos o que interessa à parte rica da sociedade, como a educação superior, a educação técnica para servir às indústrias, a educação no Distrito Federal, a educação privada – que é paga em parte com dinheiro federal, retirado do Imposto de Renda –, mas deixamos a educação fundamental entregue à pobreza do município, e o ensino médio entregue à vontade do governador. Os estados e municípios ricos, com prefeitos e governadores que tenham boa vontade, fazem boa educação; os pobres, uma educação pobre. E o Brasil vai ficando cada vez mais desigual, porque o berço da desigualdade está na escola.
Com a federalização, mantendo a descentralização administrativa, a criança passa a ser uma preocupação nacional, assim como a educação delas."

O Senhor perguntou a Caim: "Onde está Abel?"

PT organiza mega-passeatas pró-Lula para agosto

O tempo que tenho para escrever este blog é escasso. Os poucos leitores diários que por aqui passam, alguns são devido a uma pesquisa mal feita, outros, resultado de uma leitura aleatória de blogs - esta página tem o link "NEXT BLOG", que permite uma navegação sem rumo. Mas tenho imenso prazer em escrever. E porque o tempo é escasso às vêzes recorro a outros blogs. É o que estou fazendo hoje, transcrevendo alguma coisa do blog do Josias.

O PT fecha até o final da próxima semana um calendário de grandes manifestações de rua que pretende realizar ao longo do mês de agosto em apoio à reeleição de Lula. O planejamento envolve entidades sindicais como a CUT, estudantis como a UNE e sociais como o MST.
O blog (do Josias de Souza) quis saber de Felício quem vai pagar a conta da organização e da realização das mobilizações. E ele: “Você sabe que não se pode utilizar recursos do movimento sindical em favor de candidaturas. Quem vier às nossas reuniões, será por conta própria. É uma campanha de militância. Na convocação das passeatas, teremos de confeccionar cartazes. Esse material será pago pela coordenação da campanha”.

O blog insistiu: não há o risco de as passagens de participantes das reuniões de planejamento serem custeadas por sindicatos e entidades sociais? E Felício: “Da mesma maneira que o Alckmin faz reuniões com empresários, banqueiros e latifundiários e ninguém pergunta quem financia essas atividades, não vou perguntar a quem vier às nossas reuniões de onde ele tirou o dinheiro. Não posso saber se ele usou recursos do sindicato, espero que não”.

Essa sistemática de não saber das coisas, de se manter alheio a "detalhes menores", de dizer ao Senhor, como Caim, que não era responsável por Abel, tudo isso é endêmico no PT. Algumas vezes não dizem que não sabiam, apenas se calam, como no caso da façanha do Bruno Maranhão. Será que vai haver algum cartaz sôbre o "mensalão"? É claro que não. O mensalão nunca existiu.

Segundo o comentário de um leitor do blog do Josias, é a passeata dos "SEM" - sem teto, sem terra, sem emprego -, organizada pelos "SEM VERGONHAS".

quarta-feira, julho 5

Lula é um grande embuste

Hilton era um damista muito bem humorado. Certa vez uma pessoa com quem ele nem tinha qualquer intimidade o convidou para jogar uma partida de damas. Ele colocou duas peças brancas e duas pretas no tabuleiro; era um final clássico - as brancas jogavam e ganhavam e falou: - Preciso ir ali na fábrica. Vai resolvendo esse probleminha de damas que eu já volto. Voltou após vinte minutos.
- Como é, resolveu o problema?
- Não, está difícil, respondeu o outro.
- Puxa! Se você não consegue jogar sòzinho com duas pedras, como quer jogar comigo com 12, eu que sou um mestre?
Era um gozador. Em um torneio, após terminar sua partida, ele ria: - "Eu gosto de jogos difíceis. Quando o jogo está muito fácil eu complico, para ficar difícil. Meu jogo com o Paulo Ticon estava tão difícil que eu perdi."
Era assim o Hilton. Nunca mais o vi.

Este blog Represália não é difícil nem eu quero complicar. Gosto de jogar com as doze peças, analisando todas as possibilidades de quaisquer que sejam os contendores. Se me detenho mais em um deles é porque suas jogadas requerem um maior estudo por serem capciosas, traiçoeiras, e até mesmo desonestas. Se as coisas estão difíceis minha opção é aprofundar a análise; se esta opção se tornar inadequeda pela falta de tempo ainda existe a represália: recorro aos "mais velhos".

Hoje recorri ao site ABC Politiko. Há uma entrevista com Augusto Carvalho intitulada "Lula é um grande embuste". Vou transcrever dois trechos e deixar um link para toda a matéria.

Com apenas oito meses no ar, o site da ONG Contas Abertas já foi visitado por mais de 1 milhão de pessoas e vem pautando a mídia nacional, pois vasculha gastos abusivos do governo federal. O presidente da Associação Contas Abertas, sociólogo e deputado distrital Augusto Carvalho (PPS-DF), especializou-se em fazer esse tipo de análise ao longo de três mandatos na Câmara Federal. Nesta entrevista, ele fala sobre a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Como o senhor define o governo Lula?
- O PT, como qualquer governo - seja de direita, seja de esquerda, ou de centro -, não gosta de ser fiscalizado. A senha do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira), que prometeram ser estendida às associações da sociedade civil, foi negada. O PT gasta muito mal o dinheiro público; gasta mais e mal, preocupado apenas com o superávit primário e preterindo investimentos na infra-estrutura e o desenvolvimento econômico e social do país, impondo, assim, um sacrifício bastante duro ao povo brasileiro. O governo Lula "foi" uma sucessão de fraudes em relação às propostas que apresentou durante a campanha, a começar pela reforma da Previdência e a punição aos aposentados, quando, apesar da garantia de que os contratos jurídicos perfeitos não seriam tocados, os servidores aposentados tiveram de voltar a contribuir com a Previdência. Com a ruptura das propostas de campanha, o PT deixa, para mim, a imagem de um grande embuste, que espero seja bem lembrado nas urnas neste ano de 2006.
...
Nepotismo também?
- Ao deter a prerrogativa de agasalhar não só filiados, como também parentes - como senhoras de ministros de estado, até o filho do presidente, que ganhou a bagatela de R$ 15 milhões da Telemar, empresa que tem capital majoritário de fundos de pensão estatais, como a Previ, e participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que é um banco público -, o PT se lambuzou, usando as prerrogativas que tanto condenava nos outros. Mas o pior de tudo foi a crise ética que colocou no olho do furacão o PT e seus principais dirigentes. Eu me refiro a Genoino, a José Dirceu e Gushken, além dos outros 37 integrantes do bando, da quadrilha de 40 a que se refere o procurador geral da República, que nomeou a quadrilha que operava a partir do Palácio do Planalto.

O restante é para ler aqui.

terça-feira, julho 4

All's well that ends well

Disse Shakespeare que tudo está bem quando acaba bem. E pior que as coisas nem sempre acabam bem. Desde 1970 (será que antes? - eu estava alheio) todas as ações da seleção de futebol do Brasil estiveram associadas às ações de governos, principalmente na hora de comemorar a vitória final. Deram azar. Só em 1970 puderam soar as trombetas. Depois Fernando Henrique banqueteou-se duas vezes - 1994 e 2002.
E eis que chega 2006, a copa da Alemanha. Lula, como todos sabem é despojado de ambições pessoais. Só pensa em servir ao Brasil, ele que se julga predestinado. Agora, o Brizola não. Um ambicioso; seria capaz de pisar no pescoço da mãe para chegar à presidência. Isso disse o sábio e ético Lula. E a mãezinha do Brizola já estava morta. A tanto chega a cupidez dos homens.
Lula é um eterno candidato. Desde que enfrentou Fernando Collor de Mello, em 1989, ele não faz outra coisa a não ser pedir voto. Foi derrotado por Collor, perdeu duas vezes para Fernando Henrique e na quarta tentativa venceu Serra. E lançou a própria candidatura à reeleição apesar dos mensalões, caixas 2, corrupções mil e do escabroso caso do prefeito de Santo André encontrado morto com cerca de 18 tiros.
E eis que chega 2006, uma chance a cada quatro anos. Não é para se perder. Primeiro uma video-conferencia fora de propósito onde Lula pergunta pelo peso do Bolão. Com a resposta do dito cujo ele ficou mal na foto. Depois pediu ao Ricardo Teixeira para ser visitado por dois craques antes da viagem à Alemanha. Robinho tirou o corpo fora. Foi o Roberto Carlos.
Após muitas fotos e muitas mesuras ao jogador, Lula, dando vazão ao seu imenso senso de humor, pediu que os jornalistas se retirassem e os deixassem a sós. Ele iria "ensinar" ao Roberto Carlos como deveria jogar para “ganhar a Copa”.
Que diabos ele ensinou a esse velho menino??? Teria sido como ajeitar a meia antes do adversário cobrar uma falta?

As uvas outrora estavam verdes

Lula hesita em comparecer a debates televisivos

"Estão verdes; não prestam: nem os cães as podem tragar". Isto dizia, na fábula, a raposa, referindo-se às apetitosas uvas, que se encontravam demasiado alto, demasiado longe do seu alcance... Mas bem que poderia existir a anti-fábula: uma parreira a poucos centímetros do chão, carregada de frutos bem maduros; mas então as uvas já não interessariam à raposa.

Franco favorito em todas as pesquisas de opinião, Lula ainda não definiu se vai ou não participar de debates na televisão com os demais candidatos. Está convencido de que será transformado em saco de pancadas por todos os adversários. E hesita, por ora, em dar uma palavra final sobre o seu comparecimento nos debates. O dilema é uma novidade para Lula. Nas quatro campanhas presidenciais que disputou como candidato de oposição ele sempre pugnou pela realização de debates. Mas agora ele paira sobre o parreiral e pensa em negar as uvas que tanto desejou em outros tempos e sempre lhe foram negadas por Fernando Henrique Cardoso.
Mas digamos que haja esse debate. Então quem não vai querer sou eu; já sei todas as respostas: "não vi nada, não sei de nada, mandei apurar, esse é um partido que não rouba nem deixa roubar, blá-blá-blá...". Pergunta-se uma coisa, responde-se outra. Não vai sair dessas uvas verdes.
Preciso duma fábula melhor, uma que consiga tirar água das pedras.

segunda-feira, julho 3

Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar

Muito cedo, naquela manhã de 24 de agosto de 1954, o diretor do colégio entrou na sala para anunciar a suspensão das aulas daquele dia. O excelentíssimo Sr. Presidente da República, Getúlio Vargas, havia dado um tiro no peito. A única resposta que pude vislumbrar nas faces daqueles moleques de 14 anos, entre os quais me incluía, foi a de satisfação por um dia de aula a menos. Hoje a garotada de 16 anos vota não sei sob qual alegação. Não deve haver grande diferença na mentalidade dos 14 aos 16 anos.
A revista de grande sucesso na época era "O Cruzeiro", que cobria desde os badalados concursos de misses, passando pelo carnaval, até as grandes tragédias. E eu via ali as fotos do Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente, do Climério Euribes de Almeida, suposto matador do tenente Vaz, da Aeronáutica, e de Alcino João Nascimento, que depois confessou ter matado o tenente. Os dois primeiros foram assassinados na prisão - já havia queima de arquivo naqueles tempos. Alcino conseguiu sobreviver. Mas eu, evidentemente, era um mero expectador, sem condições de fazer qualquer juízo.

Na última semana alguém me falou que todo esse episódio foi uma farsa. Lacerda atirara no major e no próprio pé. Nunca ouvi falar tal coisa, mas encontrei um relato na Hora do Povo. Alcino confessou ter dado dois tiros no peito do major e disse antes ter ouvido tiros e um zumbido de bala perto de sua cabeça. O major Vaz levara um tiro nas costas. O corpo nunca foi submetido à necrópsia: os golpistas não permitiram. Lacerda recusou-se a entregar seu revólver à perícia. Tudo estava controlado por lacerdistas na base aérea do Galeão, também conhecida como república do Galeão.

Getúlio, embora seja o suicida mais conhecido da história do Brasil, ora é execrado, ora é idolatrado. Fernando Henrique Cardoso, antes mesmo de assumir seu primeiro mandato, prometeu enterrar a era Vargas. E, aqui, estamos entrando num texto do Centro de Mídia
Independente
. "Não é aqui o lugar adequado para fazer a psicanálise dessa volúpia anti-varguista de FHC, mas este, em 1965, segundo o escritor Arisvaldo Figueiredo, não compareceu ao enterro do pai, Leônidas Cardoso, general e deputado pelo PTB (1955-1959), defensor nacionalista da Petrobrás. Os professores e estudantes da Faculdade de Filosofia da USP, o ponto de partida da carreira de FHC, não sabiam dessa ascendência paterna getuliana porque o filho fez questão de ocultá-la. Gondin da Fonseca, escritor genial, corajoso, dizia que Carlos Lacerda escolheu como inimigo Vargas a partir de 1947, 'odiava Getúlio e invejava-o, porque para o seu inconsciente, Getúlio era o pai vitorioso e nunca existiu no mundo quem mais detestasse o pai - Maurício de Lacerda - do que esse pobre, desorientado rapaz'. O pai de Carlos Lacerda era comunista, assim como o pai de FHC era nacionalista."

Muito embora tanto FHC quanto Lula tivessem por objetivo destruir tudo quando Getúlio construiu, Lula apresenta uma sutil diferença: gosta de ser "o pai dos pobres", como era conhecido o velho caudilho, e gosta também de sujar as mãos de petróleo. Enfim, quer imitar Getúlio apesar de não gostar dele. Todas as conquistas dos trabalhadores dadas por Getúlio, muitas estão agora ameaçadas por quem se diz trabalhador. E se o "trabalhador", como gosta de dizer, governa de maneira tão maravilhosa este país, melhor que qualquer um nestes longos 500 anos (ele é quem diz), e se é tão eficiente quanto era como torneiro mecânico, não sei não, estamos arriscados a perder mais que os dedos.

domingo, julho 2

Ideologia emburrece

Maria Sylvia de Carvalho Franco
Professora dos departamentos de filosofia da USP e da Unicamp

"Não há nada mais flexível do que a espinha de um político brasileiro"

Entrevista feita por Marcelo Carneiro para a Veja

Abaixo dois trechos da entrevista. Leia mais aqui.

Veja – Mas o PSOL, além de uma visão de mundo ultrapassada, traz alguns vícios idênticos aos do PT. Maria Sylvia – Sei disso. Sei que há também demagogia e oportunismo, todos os males da política brasileira. Mas é preciso que um partido de oposição sobreviva. O PMDB não vai fazer oposição, é visceralmente conciliador. O PSDB está mostrando a cara: concilia também, e muito. O PFL é outro conciliador. Quando se trata de repartir o poder, eles estão todos juntos. Não há nada mais flexível do que a espinha de um político brasileiro.

Veja – A senhora é conhecida por distribuir críticas a pensadores tanto do PT quanto do PSDB. Há alguma diferença entre um intelectual petista e um tucano Maria Sylvia – No PT, há dois tipos de intelectual. O primeiro é correto, mas tem um fanatismo exacerbado. São pessoas que não tiram vantagem nenhuma de apoiar o PT, às vezes dão de si e do próprio bolso, sem receber nada em troca. Mas são capazes de cortar relações com você só porque você faz críticas ao PT. É um apego ideológico, e ideologia emburrece. O segundo tipo é o intelectual de um oportunismo atroz, como Marilena Chaui. Uma pessoa com a formação dela não pode dizer que, quando Lula abre a boca, o mundo se ilumina. É uma professora universitária que diz que o mundo é iluminado por alguém que faz a apologia da ignorância, que é capaz de dizer "minha mãe nasceu analfabeta". Alguns membros do PT fazem essa apologia.

sábado, julho 1

Represália no futebol

A represália agora é deles. Devem estar morrendo de rir em Buenos Aires.

TSE impõe novas derrotas a Lula ao vetar propagandas

Folha de São Paulo
Seis recursos do governo para divulgar ações publicitárias específicas foram rejeitados
Dois dos sete ministros votaram a favor de multa de R$ 900 mil por propaganda eleitoral feita antes da hora; julgamento acabou adiado
SILVANA DE FREITAS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu várias derrotas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nos três últimos dias. Os ministros decidiram notificar o petista para que ele informe, em 15 dias, os gastos com publicidade oficial desde 2003 e rejeitaram seis recursos do governo pela veiculação de propagandas específicas.
Há o risco de uma derrota maior: 2 dos 7 ministros já votaram por condenar Lula a pagar R$ 900 mil de multa por propaganda eleitoral antecipada em razão da distribuição, em janeiro, de revista produzida pela Casa Civil, que fez promoção pessoal do presidente, segundo o entendimento do TSE. Um pedido de vista feito pelo ministro Gerardo Grossi adiou o julgamento, e os votos de cinco dos magistrados não chegaram a ser declarados.
Tanto a decisão de notificar Lula sobre os gastos com publicidade quanto a rejeição dos recursos para liberar seis campanhas foram unânimes. Advogados que atuam no TSE dizem que há clara disposição do tribunal de agir com rigor para conter eventuais abusos no uso da máquina administrativa.
A notificação sobre os gastos com publicidade institucional foi pedida pela oposição, para fiscalizar o cumprimento da Lei Eleitoral (nº 9.504). Ela estabelece que essa despesa no ano das eleições não pode ultrapassar a média dos últimos três anos ou o total de gastos efetuados no ano anterior.O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, já tinha negado oito pedidos do governo de liberação de campanhas publicitárias oficiais no período eleitoral, que começa hoje. Nesta semana, os outros ministros concordaram com Marco Aurélio com relação à falta de urgência dessas propagandas.A lei proíbe a publicidade institucional nos três meses que antecedem as eleições, com exceção de produtos que tenham concorrência no mercado ou ainda na hipótese de "grave e urgente necessidade pública" reconhecida pela Justiça.
O governo queria usar a logomarca do programa de saúde bucal "Brasil Sorridente", divulgar cartazes do prêmio "Professores do Brasil" e de uma olimpíada de matemática nas escolas públicas, veicular campanha de combate a queimadas em áreas de linhas de transmissão e subestação de energia, distribuir material do Projeto Rondon e ainda divulgar o serviço de atendimento telefônico do INSS.
No julgamento do primeiro desses recursos, na quarta-feira, houve um bate-boca entre Marco Aurélio e o advogado-geral da União, Álvaro Augusto Ribeiro Costa. O presidente do TSE permitiu que o advogado-geral falasse para fazer um esclarecimento, mas, em seguida, impediu-o de continuar intervindo. Ribeiro Costa tentou prosseguir, mas teve de abrir mão. O advogado-geral não assistiu ao julgamento dos outros cinco recursos.

Achei isso tudo uma injustiça pois todos sabem que no Brasil tudo é permitido, até o que é proibido.

O boi e o burro no caminho de Belém

Houve uma época em que um grupo de amigos envolvidos com teatro amador contribuía para o deleite dos sócios de um clube do nosso bairro. Lembro quando apresentaram "O boi e o burro no caminho de Belém". Esta peça é uma adaptação da obra de Maria Clara Machado. O texto original encontra-se no livro Teatro I da “Coleção Teatro” (Editora Agir).

Personagens: Boi; Burro; Estrela; cinco anjinhos; Maria; José; três reis magos; pastores; Cenário: Um estábulo simples; ao fundo o céu, uma parede branca com estrelas pintadas ou um pano branco com estrelas aplicadas. Figurinos: a critério do grupo. Música: à escolha do grupo: Noite Feliz para a cena final. Abertura: inicia-se com uma música suave de fundo, enquanto as cortinas se abrem lentamente.

Cena 1: (Surgem o Boi e o Burro, seguindo o ritmo da música e examinando o ambiente. Ao terminar a música, eles se colocam um de cada lado do palco).
Boi: Muuu...Burro: Hiiiiiiiiiiiiii....
Boi: Burro, ó Burro! Você está notando qualquer coisa hoje?
Burro: Não estou notando nada, não Boi.
Boi: Você é burro mesmo! Então não percebe que o ar está meio mudado?
Burro: (cheirando o ar): É verdade, amigo Boi. Tudo cheira diferente por estas bandas! (cheirando com barulho)
Boi: (olhando o céu): e nunca o céu esteve tão estrelado, tão perto!
Burro (também olhando o céu): Não é que é verdade! Sou mesmo muito burro! Não tinha notado antes! Está tudo muito esquisito... (mudando de tom e olhando assustado para o Boi). Será que o mundo vai acabar, hem, Boi?
Boi: Talvez comece um outro mundo!
Burro (triste): E nós? Haverá pastagem para nós dois no outro mundo?
Boi: Não sei, não.

Aqui termina a cena 1. Lembro que nessa peça representada pelo grupo amador, onde participei - acho que eu era um dos três reis magos: entrava mudo e saía calado - havia uma fala que não encontro acima. Naquele clima de expectativa pelo nascimento do menino Jesus, os personagens da abertura concluíam: - "Mistério, amigo boi!" Respondia o boi: - "Mistério, amigo burro!"

Agora, fecha o pano rápido. Vamos a outra cena.

O fraudador do Instituto Nacional do Seguro Social, Ilson Escóssia da Veiga, que integrava a quadrilha de Jorgina de Freitas, morreu dia 29 de junho à noite, de causa desconhecida. Escóssia queixou-se de dores abdominais e "bolo na garganta" na segunda. Foi atendido no Hospital Penitenciário Fábio Soares Maciel e transferido para o Hospital Rocha Faria, onde morreu.

A deputada estadual Cidinha Campos (PDT) estranhou a pressa com que Escóssia foi enterrado, no Memorial do Carmo, sem velório. "Quem garante que foi o Ilson que morreu? Que ele não foi para o exterior gastar o dinheiro?", indagou. A deputada presidiu a CPI da Câmara Federal que apurou as fraudes contra o INSS. Ela lembra que os ossos de João Carlos Catanhede, morto em 1991, durante as apurações da fraude, desapareceram quando o corpo seria exumado. E que Tainá Coelho, outro acusado do golpe, teve a morte atestada pelo sogro e "ninguém viu o corpo".

Não foi por outro motivo que evoquei a cena da minha juventude onde aqueles personagens contracenavam:- Mistério, amigo boi!- Mistério, amigo burro!

sexta-feira, junho 30

Instrumentos Náuticos

Instrumentos náuticos representados na Arte de Navegar de Manuel Pimentel (1712)

Os instrumentos náuticos são uma peça fundamental na arte de navegar. A sua finalidade é básicamente obter a posição da embarcação de modo a permitir uma navegação segura. A política é um grande mar onde o navegante não se orienta por esses instrumentos nem tem por finalidade desbravar os sete mares. Quando muito ele quer garantir um "porto seguro".

Aliado tradicional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PCdoB divulgou hoje o documento do partido no qual defende mudanças econômicas no eventual segundo mandato de Lula. O partido propôs a redução do superávit primário, taxas de juros menores, entre outras mudanças, como forma de atingir um maior desenvolvimento do País. "A política macroeconômica não pode ser rígida", afirmou o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.
O documento também faz um balanço do governo Lula, defende a ampliação de políticas sociais e apóia a política externa desenvolvida pelo presidente e foi divulgado na convenção do PCdoB realizada na Câmara.

Eu acho que o PCdoB poderia dispensar muito bem esses instrumentos de navegação. Ninguém do PT está interessado em suas reivindicações de mudanças econômicas. Aproveitem a calmaria, assestem a proa rumo ao norte e ancorem nas águas tranquilas e corruptas do PT. Vocês estão semeando ventos. Virá a tempestade.

quinta-feira, junho 29

Vá gostar de boné assim lá na casa do chapéu!


No blog do Josias:
"Lula esteve nesta quarta em Minas Gerais. O propósito oficial da viagem era uma visita à Usina Presidente Arthur Bernardes, do grupo Gerdau. Ali, Lula discursou e conversou com os operários. Mas, quebrando a promessa que fizera de só cuidar de assuntos relacionados à campanha reeleitoral nos fins de semana, Lula pôs-se a fazer política."

Além de conhecer o famoso jeitinho brasileiro, Lula conhece também essa quadrinha (leia devagar):
Na Rússia tudo é proibido, inclusive o que é permitido.
Na Alemanha tudo é proibido, exceto o que é permitido.
Nos Estados Unidos tudo é permitido, exceto o que é proibido.
No Brasil tudo é permitido, inclusive o que é proibido.

quarta-feira, junho 28

Conto de fadas

Fonte: Tribuna da Imprensa
A Novadata, empresa de Mauro Dutra, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, corre o risco de ser banida das licitações do Senado pelo prazo de dois anos, a exemplo do que fez a Caixa Econômica Federal em julho do ano passado. A Secretaria Especial de Informática da Casa (Prodasen) pediu sua suspensão nas licitações na mesma ação em que cobrou da empresa a multa no valor de R$ 114,1 mil pelo descumprimento do contrato.
Ligado ao PT, Mauro Dutra é dono da mansão onde o presidente e a primeira-dama, Marisa Letícia, passaram o réveillon de 2001, em Búzios. É chamado de Maurinho pelo presidente. Símbolo de empresário bem-sucedido, sobretudo no governo federal, Dutra entrou na lista de suspeitos de abastecer o caixa 2 do PT desde que a organização não-governamental que dirigia, a Ágora, foi alvo de uma ação de responsabilidade civil, em maio de 2004, para ressarcir aos cofres públicos R$ 887.719,67.
Todas as pessoas são boas e bem intencionadas, só que o problema é que não sabem escolher seus amigos. Dizem que nem vizinho pode-se escolher. Engano. No caso, o incomodado é que se muda. O inimigo você também escolhe ou pode ser escolhido por ele. Com amigos é só observar o seguinte: amigos, amigos, maracutaias à parte.